Reino Unido dos Açores

 

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Estando já Portugal dominado por Filipe II, resistia apenas a Terceira pela causa de D. António, e com ela, embora com pouca força para argumentos guerreiros, as demais ilhas que, por estarem na continuação da viagem para quem vinha do Reino, se diziam de Baixo. Como aquela, também dita de Jesus Cristo, era tida por bastião respeitável, veio tentar vergá-la à vontade da majestade estrangeira um dos seus melhores capitães, D. Pedro Valdez. Ora, para maior certeza na vitória, este deveria esperar pelos navios que traziam D. Lopo de Figueiroa e a sua gente de armas, mas um primo convenceu-o a conquistar a ilha sem outra ajuda, tanto mais que lhe dissera um homem do Faial que a Terceira era por El-Rei Filipe, não havendo nela mais que quatro gatos capazes de combater por D. António. Em breve saberia, com duras penas, que os gatos afinal eram muito mais que quatro.


A batalha da Salga. Após os bombardeamentos de Angra, em 5 de Julho de 1581, a esquadra espanhola de 10 navios, comandada por D. Pedro Valdez, manteve-se em torno da ilha em reconhecimento dos melhores locais de desembarque. Na madrugada de 25 de Julho os primeiros barcos com tropas espanholas apontavam à baía da Salga. Um vigia, postado na ponta de Coelho, deu o alarme, mas quando as primeiras forças portuguesas chegaram já os castelhanos, em número de 1.000, tinham ocupado posições e iniciado o saque. Nesta fase dos combates distingue-se a jovem e formosa Brianda Pereira, que, vendo a sua casa destruída, ataca, com outra mulheres que juntara, o inimigo.
Pelas nove horas da manhã a peleja era forte, varrendo os espanhóis a costa com a sua artilharia, o que, dificultava a tarefa dos defensores. Cerca do meio-dia, estando a batalha indecisa, o religioso agostinho Frei Pedra, que participava activamente na luta, teve a ideia de, como estratagema, dirigir gado bravo para as posições espanholas e assim desbarataras. Rapidamente foi reunido mais de um milhar de bovinos, que, à força de gritos e tiros de mosquete, se lançaram sobre o inimigo. Aterrorizados, estes recuam e são perseguidos até à beira-mar, onde a quase totalidade perde a vida na luta que se trava ou morre afogada procurando atingir os batéis